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O café napolitano e o café suspenso

O café napolitano e o café suspenso
Foto: Wolfgang Moroder · CC BY-SA 3.0 · redimensionada e recortada

Em Nápoles, o café não é apenas uma bebida: é uma forma de estar juntos, uma pausa que se oferece e se aceita sem pensar muito. Bebemo-lo de pé ao balcão, na companhia de desconhecidos, e de cada vez tivemos a sensação de participar num pequeno ritual. Eis o que está por trás da chávena.

Como o café chegou a Nápoles

Conta-se que a moda do café na corte foi lançada por Maria Carolina de Áustria, mulher de Fernando IV de Bourbon, que o teria mandado servir durante um baile no Palácio Real de Caserta em 1771. Quer tenha sido exatamente assim ou não, desde então o café tornou-se parte da vida quotidiana em toda a cidade, tanto nos palácios como nas ruelas.

A cuccumella, a cafeteira napolitana

Antes da moka, nas casas napolitanas usava-se a cafeteira napolitana, carinhosamente chamada cuccumella, diminutivo de cuccuma, o recipiente de cobre ou de barro. Curiosamente, o inventor não era napolitano: foi o francês Jean-Louis Morize, em 1819, quem aperfeiçoou este sistema.

O funcionamento é simples, mas exige paciência. Aquece-se a água no depósito inferior e depois a cafeteira vira-se ao contrário: a água desce lentamente através do filtro por gravidade. No bico coloca-se o cuppetiello, um pequeno cone de papel que retém o aroma.

Este ritual foi imortalizado por Eduardo De Filippo na comédia Questi fantasmi, em que o protagonista explica ao vizinho, debruçado na varanda, todos os passos para fazer um café como deve ser. Aconselhamos-vos a revê-la: é uma das cenas mais amadas do teatro napolitano.

O café suspenso

A tradição mais bonita é a do café suspenso (caffè sospeso). Quem entra no café paga dois cafés mas bebe apenas um: o outro fica «suspenso» para quem vier depois e não o puder pagar. Um gesto de solidariedade anónima, sem agradecimentos.

Segundo o escritor Riccardo Pazzaglia, o costume teria nascido das pequenas disputas entre amigos na hora de pagar: na dúvida, alguém acabava por pagar um café a mais, deixando-o a um desconhecido. Em 2008, Luciano De Crescenzo reuniu reflexões e episódios sobre o tema no livro Il caffè sospeso.

De Nápoles, a ideia deu a volta ao mundo, da Espanha à Argentina, e com o tempo nasceram redes e associações que a promovem com fins solidários. Se tiverem oportunidade, experimentem também: é uma bela forma de se sentirem parte da cidade.

Como se bebe em Nápoles

O café napolitano é curto e intenso, muitas vezes servido numa chávena aquecida. Em muitos cafés trazem-vos também um copo de água, para beber antes e preparar o paladar. E se alguém vos oferecer um café, o conselho é um só: aceitem.

Nos arredores

O café é o final perfeito de um almoço napolitano: descubram o que pedir antes em O que comer em Nápoles e acompanhem-no com O babà napolitano ou A sfogliatella napolitana. Outros costumes da cidade esperam-vos em Tradições napolitanas famosas. Para organizar a viagem, comecem por Nápoles e arredores.

Foto no topo (Nápoles): This Photo was taken by Wolfgang Moroder. Feel free to use my photos, but please mention me as the author and send me a message. This image is not in the public domain. Please respect the copyright protection. It may only be used according to the rules mentioned here. This specifically excludes use in social media, if applicable terms of the licenses listed here not appropriate. Please do not upload an updated image here without consultation with the Author. The author would like to make corrections only at his own source. This ensures that the changes are preserved.Please if you think that any changes should be required, please inform the author.Otherwise you can upload a new image with a new name. Please use one of the templates derivative or extract., CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

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